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Reforma TributáriaFGV Ibre · 77% em preparação

Combustíveis e construção civil antecipam a Reforma para não perder margem

Capa: setores de combustíveis e construção civil se antecipam à Reforma Tributária

Setores de cadeia longa sentem a Reforma Tributária antes dos outros. Um posto de combustíveis depende do tratamento dado à distribuidora; uma construtora assina hoje contratos que serão executados em plena transição. Por isso, combustíveis e construção civil aceleraram a revisão das rotinas fiscais — e os números do FGV Ibre mostram que o mercado, de forma geral, também se mexeu.

O que dizem os números

Sondagem do FGV Ibre realizada em maio de 2026, com cerca de 4 mil empresas de todos os setores, aponta que 77% avaliam estar em estágio médio ou avançado de preparação para a Reforma. O retrato por setor é mais cauteloso: na construção civil, o próprio FGV Ibre registrou 63,8% das empresas em nível médio ou alto de adaptação e 12,3% que sequer começaram a considerar os impactos.

A leitura correta é esta: a maioria começou, mas "estar em preparação" é uma autoavaliação, não um atestado de prontidão.

Combustíveis: a monofasia muda a conta

No setor de combustíveis, a Lei Complementar 214/2025 manteve a lógica da tributação concentrada em um só elo da cadeia — o regime monofásico — agora para IBS e CBS. Para distribuidoras, TRRs e postos, isso significa rever cadastros, sistemas e, principalmente, a formação de preço e o aproveitamento de créditos em cada etapa. Quem opera em mais de um Estado precisa ainda conciliar essa transição com o ICMS, que só se despede em 2033.

Construção civil: o contrato de hoje paga o imposto de amanhã

Uma obra contratada em 2026 pode ser medida e faturada até 2029 ou 2030. Se o contrato não disser como fica o preço quando a carga tributária mudar, a diferença sai da margem de alguém — em geral, de quem não previu. As empresas que se anteciparam estão revendo cláusulas de formação de preço, de repasse de tributos e de reequilíbrio econômico-financeiro.

A leitura da Barcelos & Bernardes

Atendemos postos, TRRs, distribuidoras e construtoras no Norte e em São Paulo, e o ponto crítico é o mesmo em todos: o contrato longo assinado agora e executado durante a transição. A revisão contratual não é trabalho para depois da virada — é o que protege a margem enquanto o preço ainda pode ser negociado. Ao lado dela, a simulação da carga por produto e por obra mostra onde o novo modelo pesa e onde abre espaço.

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